sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Metáfora da Amizade



Certo dia, perdida em meus pensamentos, lembrei-me de algo interessante; uma história que um dia ouvi.

Dois amigos conversavam bem descontraídos, felizes, quando o amigo A perguntou ao amigo B o motivo pelo qual ele havia se distanciado do Amigo C, já que eles vivam juntos. O amigo A disse-lhe:

- Se nós dois resolvermos plantar uma sementinha, que um dia se transformará em uma bela flor e dividirmos a responsabilidade de cuidar dela, mas você, por algum motivo não cumprir a sua parte, não regar a sementinha no dia que é seu, e deixar apenas que eu faça a minha parte, provavelmente essa sementinha irá demorar a crescer. E se ao crescer, apenas eu continuar a cuidar dela, nos dias que me cabem, provavelmente ela não irá sobreviver muito tempo. Para que a semente cresça forte e se transforme numa bela flor, é preciso que haja a participação dos dois; é preciso que haja o empenho dos dois. E ainda que a bela flor um dia venha a morrer, outras sementes deixará pelo caminho, onde juntos iremos regar, cuidar para que se transforme também em  belas flores...Pois bem, ele esqueceu os dias dele!A semente demorou para se desenvolver, cresceu fraca e logo morreu.


“Compreendi que viver é ser livre…Que magoa passa… Que decepção não mata… Que hoje é reflexo de ontem… Compreendi que podemos chorar sem derramar lagrimas… Que os verdadeiros amigos permanecem… Que dor fortalece… Que vencer engrandece… Que pra sorrir tem que fazer alguém sorrir…Que a beleza não está no que vemos, e sim no que sentimos… Que o valor está na força da conquista… Compreendi que as palavras tem força… Que o olhar não mente… Que viver é aprender com os erros… Que o SEGREDO da vida é VIVER !!!” Clarice Lispector








domingo, 23 de outubro de 2011

Meu Deus me dê coragem!!



Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
 todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. 
Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. 
Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as 
Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. 
Faça com que minha solidão me sirva de companhia. 
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. 
Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim 
me sentir como se estivesse plena de tudo. 
Receba em teus braços o meu pecado de pensar. 

 (Clarice Lispector)





quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Apenas uma reflexão...

Que as aulas da especialização me deixam um tanto quanto "na estratosfera", isso quem me conhece sabe que é verdade. Mas hoje a coisa estava para além da estratosfera, se é que se pode dizer isso. Ao mesmo tempo, serviu - esta viagem do nada a algum lugar ainda desconhecido -, para que eu pensasse que lugar é este que estou, e o que estou fazendo para significar minha estada.

Bom, tal momento reflexivo se deu a partir de duas frases - que agora entram para as páginas do meu memorial, sem dúvida -, colocadas propositalmente pelo professor, que diziam o seguinte (longe de mim querer relatar a minha reflexão profunda sobre tais frases, irei me ater a algo mais básico e subjetivo):

"Meu cú é um lobo". Deleuze
"Onde meu cú é um lobo, a ciência é um pau que brocha". Lima Jr.

É engraçado, para uns desconcertante, exótico...Mas em meio aos risos exagerados, contidos, reprimidos e silêncios gritantes, coloquei-me a pensar sobre o que Deleuze tentou/queria despertar nas pessoas que leram/leriam esta frase. 

E trazendo um pouco para o contexto da minha vida, para situação em que me encontro - situação esta que, segundo minha amiga Renata, é periclitante -, penso que o Cú a que Deleuze se refere nada mais é que a sua vida, o sujeito Deleuze no ápice da sua voracidade, querendo tudo e lutando ferozmente por aquilo que almeja e deseja - UM LOBO. Eu digo que, neste momento, o lobo, o meu lobo está perdido em algum lugar que ainda desconheço; o meu cú (aqui entendido como o Ser/Sujeito EU), é um bicho qualquer, que ainda não consegui estabelecer uma relação dentre a relação dos animais conhecidos, mas que fica/estar assistindo as coisas e as pessoas acontecerem/passarem sem aquela força/vontade/coragem de levantar e gritar: EU TAMBÉM VOU EMBARCAR NESSA VIAGEM!!!

É um sentimento de impotência e, ao mesmo tempo, de desespero, perceber o quanto é difícil e doloroso ver o tempo passar sem poder aproveitar com a mesma voracidade de um lobo faminto, as oportunidades oferecidas; é quase a síndrome de Raul Seixas: sentada, com a boca cheia de dentes, esperando a morte chegar". 

É quase um entrar em crise, em meio as crises!! 

Ai... vou ficar por aqui... refletir dói!!!

   

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A difícil tarefa de ser gente grande!!


Por diversas vezes tentei iniciar este e outros post, mas sempre acabava desistindo. A minha ausência se justifica no distanciamento e pausas necessárias que as vezes precisamos fazer, a fim de tentar compreender alguns processos pelos quais passamos; estou nesse momento. A difícil tarefa de ser gente grande desencadeou algumas frustrações, indagações e questionamentos que, no momento, busco por respostas. Se outrora defendia a autoria - ainda defendo e primo por esta, ainda que não pareça-, e questionava o fato de um dia ter sido destituída do lugar de autora/escritora, hoje percebo que, involuntariamente, retorno a esta condição por querer/tentar esconder algo que me faz bem: escrever!! Atribuo o retorno a esta condição também a difícil tarefa de ser gente grande e as responsabilidades que me impuseram e a forma como fizeram isso. O distanciamento da escrita camufla as minhas reais necessidades e desejos, por não querer desagradar outros, ainda que me desagrade e me mate aos poucos; a morte e a violência simbólica constituem-se para mim como questões mais cruéis do que estas no campo físico.

Bom, esse post é apenas para dizer que me encontro nesse movimento de silenciamento, distanciamento, à procura de respostas, entendimentos que proporcione, quem sabe, o retorno a um lugar mais confortável que o que estou agora. 

Procurarei sim, querida Lais, me fazer presente, não buscar me esconder no que outros dizem, mesmo achando que dizem muito mais do que eu poderia dizer. E nesse movimento eu vou me encontrando, me descobrindo, buscando, mesmo que não tenham respostas para me dar, mesmo que as coisas não estejam claras; aprendendo a conviver com certas situações sem valorizar o conformismo, mas lutando por mudanças, ainda que forças não mais tenha, e o desejo de desistência voraz, eu vou tentando SER/ESTAR, nesta condição que ainda me deixam ser e estar: gente grande!!!